Como Marx e Engels escreveram O Manifesto Comunista? A verdadeira história por trás da obra revolucionária

Imagem principal do artigo Como Marx e Engels escreveram O Manifesto Comunista_ A verdadeira história por trás da obra revolucionária
Educação- História- História Contemporânea- Idade Contemporânea

Antes de tudo, entender  como Marx e Engels escreveram O Manifesto Comunista é essencial para compreender não apenas o movimento socialista moderno.

Mas também a formação teórica que moldou revoluções, partidos e debates políticos por mais de 170 anos.

 Além disso, a trajetória até a criação desse documento histórico não foi simples: foi marcada por disputas ideológicas, embates dentro do próprio movimento operário e pela busca de um método considerado, pelos autores, verdadeiramente científico.

Leia também: Primeira República: Origem, Características e Impacto na História do Brasil.

O contexto: socialismo utópico x socialismo científico

O primeiro adversário teórico

Logo de início, é importante destacar que os primeiros alvos críticos de Marx e Engels foram os chamados socialistas utópicos.

Embora populares entre os setores mais radicais do movimento operário europeu, esses pensadores defendiam projetos idealizados de sociedade perfeita, baseados em fraternidade, altruísmo e harmonia entre trabalhadores e patrões.

Entretanto, para Marx, essa visão era ingênua. Na sua análise, patrões e empregados não eram parceiros potenciais de uma sociedade fraterna.

Na verdade,  eram  inimigos de classe. A exploração capitalista tornava insuportável acreditar em conciliações espontâneas.

Por outro lado, intelectuais como Saint-Simon, Fourier, Robert Owen e outros acreditavam que a mudança social viria pela persuasão moral dos donos das fábricas, que — supostamente — poderiam abrir mão voluntariamente dos lucros para construir uma sociedade igualitária.

No entanto, para Marx e Engels, essa abordagem ignorava a estrutura profunda dos conflitos sociais.

Eles argumentavam que apenas os trabalhadores, organizados, poderiam transformar radicalmente a sociedade.

O embate com Wilhelm Weitling: o divisor de águas

Nesse cenário, Marx e Engels enfrentaram um adversário poderoso dentro do próprio movimento operário: Wilhelm Weitling, um comunista cristão, tecelão e extremamente popular entre artesãos de países de língua alemã.

Apesar disso, Weitling defendia uma revolução imediata, baseada em fervor moral e religioso, sem qualquer análise profunda das condições materiais. Isso irritou Marx profundamente.

Durante um debate histórico, Marx afirmou que Weitling agia de forma irresponsável e não científica. Para ele, a revolução comunista só poderia surgir quando as contradições do  capitalismo atingissem seu ponto máximo — algo que deveria ser analisado a partir de leis históricas e econômicas.

Por fim, a argumentação de Marx venceu. Muitos ativistas presentes reconheceram sua solidez intelectual e passaram a enxergar nele e em Engels os únicos capazes de oferecer um programa coerente para o movimento comunista.

A Liga dos Justos muda de rumo

A partir daí, Marx e Engels foram convidados a integrar a Liga dos Justos, uma associação revolucionária secreta que buscava formular estratégias para a emancipação dos trabalhadores.

Posteriormente, em 1847, ocorreu um grande congresso da Liga em Londres. Durante esse encontro, as ideias de Marx prevaleceram quase que integralmente. Assim:

-A Liga abandonou o termo “Justos”

-E adotou o nome Liga dos Comunistas

– Elegeu Marx e Engels para escreverem o novo programa oficial

A partir de então, os dois formuladores passaram a trabalhar diretamente na obra que se tornaria um marco do pensamento revolucionário mundial.

O processo de criação de O Manifesto Comunista

Logo depois, Marx e Engels começaram a escrever o texto sob mandato formal da Liga dos Comunistas.

Era necessário criar um documento capaz de responder a três perguntas fundamentais:

1. Quem somos?

2. O que defendemos?

3. O que propomos fazer?

Assim, durante o fim de 1847 e o início de 1848, ambos redigiram o texto que sintetizava sua visão materialista da história, sua análise da luta de classes e sua proposta de ação revolucionária.

Por fim, na última semana de fevereiro de 1848, em uma pequena tipografia no centro de Londres, foi impresso o documento que mudaria o mundo:

O Manifesto do Partido Comunista, mais tarde conhecido apenas como O Manifesto Comunista.

O Manifesto como convocação revolucionária

Mais do que isso, o manifesto não era apenas uma explicação teórica da história e das contradições do capitalismo.

Ele era uma verdadeira convocação global. Onipresente em sua força de linguagem, o texto conclamava os trabalhadores do mundo a se unirem e tomarem seu lugar como agentes históricos.

Assista também ao vídeo inserido no artigo

Para enriquecer sua compreensão, este artigo conta com o vídeo original que inspirou a análise acima.

O conteúdo aprofunda os debates da época e mostra, de forma dinâmica, como Marx e Engels confrontaram seus opositores para formular *O Manifesto Comunista*.

Em síntese, O Manifesto Comunista  nasceu de debates intensos, rupturas ideológicas e da tentativa de Marx e Engels de formular um socialismo baseado na ciência, e não em idealizações morais.

Esse processo histórico revela por que o manifesto se tornou uma das obras políticas mais influentes de todos os tempos.

Ao final, compreender como Marx e Engels produziram essa obra monumental é compreender também o nascimento do pensamento socialista moderno.

Tags:

Sem Comentários

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *