A Pré História: Origens da Humanidade, Evolução e Construção da Vida em Sociedade

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A pré história explica as origens da humanidade, a evolução humana, as migrações, a revolução agrícola e o surgimento da escrita, revelando como o ser humano construiu sua trajetória até a história registrada.

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Introdução à pré história e seus limites conceituais

Antes de tudo, a pré história corresponde a cerca de 95% de toda a trajetória humana na Terra. Esse período começa com o surgimento dos primeiros hominídeos, há aproximadamente 15 milhões de anos, e se estende até o aparecimento dos primeiros sistemas de escrita, por volta de 3.500 a.C. Tradicionalmente, historiadores utilizaram a escrita como critério para separar pré história e história. No entanto, essa divisão não é neutra nem isenta de críticas.

Nesse sentido, é importante destacar que a ausência de escrita não significa ausência de história. Povos sem escrita desenvolveram culturas complexas, sistemas de conhecimento, crenças, técnicas de sobrevivência e formas próprias de organização social. Portanto, a visão que associa escrita a “progresso” reflete uma herança positivista do século XIX, hoje amplamente questionada pela historiografia contemporânea.

Além disso, a pré história não representa um estágio “atrasado” da humanidade, mas sim um longo período de adaptação, inovação e transformação constante. Foi nesse tempo que surgiram as bases da linguagem, da tecnologia, da arte, da religião e da vida em comunidade.

Assim, compreender a pré história é essencial para entender quem somos, como nos organizamos socialmente e por que o mundo humano se estruturou da forma que conhecemos hoje.

A evolução humana e a teoria da seleção natural

Primeiramente, é fundamental esclarecer um equívoco comum: os seres humanos não evoluíram dos macacos. Na realidade, humanos e macacos compartilham um ancestral comum dentro da ordem dos primatas. A partir desse ancestral, diferentes linhagens evolutivas se desenvolveram, influenciadas principalmente por mudanças climáticas e ambientais.

De acordo com Charles Darwin, as espécies passam por um processo chamado seleção natural. Nesse processo, mutações genéticas surgem ao acaso e, quando favorecem a adaptação ao ambiente, tendem a ser transmitidas às gerações seguintes. Ao longo de milhares de anos, indivíduos mais adaptados sobrevivem e se reproduzem, enquanto outros desaparecem.

No caso humano, características como postura ereta, mãos habilidosas, aumento da capacidade craniana e maior sociabilidade foram decisivas para a sobrevivência. Esses fatores possibilitaram o uso de ferramentas, a cooperação em grupo e estratégias mais eficientes de caça e proteção.

Portanto, a evolução humana não foi linear nem planejada. Pelo contrário, foi marcada por múltiplas espécies de hominídeos coexistindo simultaneamente, até que o Homo sapiens sapiens se destacou por sua extraordinária capacidade de adaptação e aprendizado coletivo.

Migrações humanas e ocupação dos continentes

Em seguida, estudos arqueológicos e genéticos indicam que os primeiros humanos surgiram no continente africano. A partir dali, diferentes grupos migraram gradualmente para outras regiões do planeta, em busca de melhores condições de sobrevivência.

Durante a última Era do Gelo, o nível dos mares estava significativamente mais baixo. Com isso, surgiram pontes naturais de terra e gelo que possibilitaram travessias antes impossíveis. A teoria mais aceita sobre a chegada dos humanos às Américas é a travessia pelo Estreito de Bering, que ligava a atual Sibéria ao Alasca.

Da mesma forma, a ocupação da Oceania ocorreu há cerca de 65 mil anos, quando áreas hoje submersas estavam expostas. Essas migrações transformaram profundamente os ecossistemas locais. Animais de grande porte, conhecidos como megafauna, desapareceram pouco tempo após a chegada humana, provavelmente devido à caça excessiva, alterações ambientais e disseminação de doenças.

Assim, desde os primórdios, a humanidade demonstrou uma capacidade significativa de modificar ambientes, muitas vezes com consequências irreversíveis para outras espécies.

Paleolítico: vida nômade, caça e coleta

Inicialmente, o período Paleolítico, também chamado de “Idade da Pedra Lascada”, caracteriza-se pelo modo de vida caçador-coletor. Os grupos humanos eram nômades, deslocando-se conforme a disponibilidade de recursos naturais, como água, animais e vegetais.

Nesse contexto, não existia propriedade privada nem acúmulo de bens. Tudo o que era obtido pertencia ao grupo, prática conhecida como comunismo primitivo. A organização social baseava-se em pequenos bandos familiares, com divisão natural do trabalho associada às capacidades físicas e biológicas dos indivíduos.

Além disso, durante o Paleolítico Superior, ocorreu um salto cognitivo significativo. O domínio do fogo permitiu o cozimento dos alimentos, maior proteção contra predadores e o desenvolvimento de interações sociais mais complexas. Surgiram também as pinturas rupestres, que funcionavam como uma forma simbólica de comunicação e expressão cultural.

Portanto, o Paleolítico foi um período decisivo para o desenvolvimento da inteligência humana, da linguagem e da criatividade simbólica.

Neolítico: agricultura, sedentarismo e excedentes

Posteriormente, o Neolítico marcou uma das maiores transformações da história humana: a revolução agrícola. A partir da observação da natureza, diferentes grupos humanos, de forma independente, aprenderam a cultivar plantas e domesticar animais.

Com isso, os seres humanos deixaram o nomadismo e passaram a se fixar em regiões férteis, principalmente próximas a rios. O sedentarismo possibilitou o crescimento populacional, o armazenamento de alimentos e o surgimento dos excedentes produtivos.

Como consequência, houve uma nova divisão social do trabalho, o fortalecimento das hierarquias e a consolidação da propriedade da terra. Surgiram aldeias permanentes, técnicas de cerâmica, comércio primitivo e alianças entre grupos familiares por meio da exogamia.

Desse modo, o Neolítico lançou as bases das primeiras civilizações complexas, transformando radicalmente a relação entre humanidade e natureza.

Idade dos Metais e o surgimento da escrita

Por fim, a Idade dos Metais iniciou-se quando os humanos perceberam que certos minerais podiam ser moldados pelo calor. O uso do cobre, do bronze e, posteriormente, do ferro revolucionou a produção de ferramentas, armas e instrumentos agrícolas.

Paralelamente, sociedades mais complexas passaram a necessitar de registros administrativos, comerciais e religiosos. Assim, surgiram os primeiros sistemas de escrita, como a escrita cuneiforme dos sumérios, na Mesopotâmia, por volta de 3.500 a.C.

Tradicionalmente, esse momento marca o fim da pré história e o início da história escrita. No entanto, historiadores atuais preferem o termo história pré-literária, reconhecendo que todas as sociedades possuem história, independentemente da escrita.

Essa mudança de perspectiva combate visões eurocêntricas e racistas que, no passado, justificaram colonizações, dominação cultural e a ideia equivocada de “povos sem história”.

Vídeo explicativo

Referências

  • DARWIN, Charles. A origem das espécies.
  • HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade.
  • LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico.
  • CHILDE, V. Gordon. O que aconteceu na história.
  • FUNARI, Pedro Paulo. Arqueologia.
  • MELLO E SOUZA, Laura de. História e cultura.

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